Capital lança novo single"Melhor do que ontem", música que fará parte do novo CD/EP que deverá chegar as lojas em Agosto.
25.7.14
2.9.05
2005 - Hotel Básico
2.8.05
Letras + info
:: VERTIGO ::(Dinho/ Alvin L./ Mingau)
Alguma coisa aconteceu aqui em baixo
e eu comecei a suar
peixes nadando nas minhas veias
eu tenho a sensação que vou explodir
ou vou derreter dentro de você
vertigo, vertigo
alguma coisa aconteceu aqui em cima
e eu comecei a cair
a vida inteira em alguns segundos
eu tenho a impressão de poder voar
como tubarões em volta de você
vertigo, vertigo
cego entre bombas de fumaça
e eu respirando calor
fora de foco pela eternidade
eu tenho a sensação de querer
mergulhar no fogo com você
vertigo, vertigo
:: VIDA SELVAGEM ::Dinho/ Alvin L./ Mingau/ Kuaker)
A trilha sonora
morde os seus ouvidos
a história é a mesma
que já tinha partido
seu coração
ninguém viu
ninguém vai confessar
seus pais não gostam
mas você vai adorar
sorrindo como uma cascavel
vida selvagem
ninguém quer dormir
vida selvagem
ninguém vai desistir
o céu nem sempre é azul
o céu nem sempre
está do meu lado
vendo o mundo no retrovisor
ninguém ouviu
mas tavam todos lá
você pode estar tonto
mas não vai parar
sua mente começa a rodar
ninguém ouviu
mas tavam todos lá
o tempo passa
mas você vai se lembrar
cada segundo
essa é a sua
:: NOIABA CARLOS ::(Kuaker/ Dinho/ Alvin L.)
Hoje quando você chegar
vou rasgar a sua roupa
e desta vez eu quero te olhar
dentro da alma
agora parece que é o fim
mas se você tentar ir embora
minha pressa vai te amarrar
com toda calma
vou te amar pela última vez
e começar de novo amanhã
eu acordei de um sonho ruim
mas as coisas agora estão claras
rasguei mais uma página
da minha vida
a noite é longa e eu me esqueço
algumas pessoas nunca mudam
vamos de volta ao começo
ao ponto de partida
:: DIA DE CÃO ::(Alvin L./ Dinho)
Quebrei o vidro, a cara, a monotonia
atropelei as flores, o poste e o chão
saí da cama, do sério e da sua vida
e é só um dia de cão
mordi o pão, a história e a língua
andei a pé, atrás, até não poder mais
caí das nuvens, da mesa e na real
e é só um dia de cão
torci o braço, a frase e o sentido
rasguei a foto, a carne e o céu
pedi a chuva, jantar e o fim
e é só um dia de cão
:: FREIRAS LÉSBICAS ASSASSINAS DO INFERNO ::(Dinho/ Alvin L./ Mingau)
Bem vindo ao planeta sucata
onde o ar é marrom e a água mata
tudo é paz e amor na praia
dos biquínis invisíveis quando de repente
lá vem a tropa de salto alto
usando botas feitas de sangue e asfalto
dobermans disfarçados
de freiras assassinas
busto ½
viciadas em (gasolina, aspirina, cafeína, gelatina)
subiu na prancha e pegou
uma onda de crimes
desceu a rampa e bateu de frente
deus não tem nada a ver com isso
já esqueceu este lugar
a diversão só começa
se a polícia chegar
:: + ::(Dinho/ Alvin L.)
Simplifique não complique
amplifique e modifique
tenha calma e pacifique
duvide e verifique
intensifique e eletrifique
tente entender, não implique
plante e frutifique
não vá embora, fique
só o céu sabe o que ela viu no espelho
o futuro em cacos e distorção
um pedaço de vidro na areia da praia
uma bola perdida na multidão
eu arquivo, eu altivo
não cativo, nem cultivo
eu derivo do seu meio efetivo
incentivo, sem motivo
insensível acreditando em você
eu sobrevivo, sou esquivo
porém vivo
ele nunca pensava
em coisas importantes
nervos de aço e ambição
uma faca afiada no bolso da calça
um espinho atravessado no coração
:: HUSH ::(Joe South - Deep Purple)
I meet a little girl
she's on my mind
no doubt about it
she looks so fine
she's the best girl
that I ever had
sometimes she makes
me feel so bad
hush, hush
I thought I heard her calling
my name now
hush, hush
she broke my heart
I love her just now
hush, hush
I thought I heard her calling
my name now
I need her love
I just can explain now
love love
I got it early in the morning
love love
I got it late in the evening
love love
I wonder, I need it
love love
I got to got to love it
she's got a love that's like quikesand
it only took one touch
of her hard
she blew my mind
and I'm in so deep
I can't reach out
I can't sleep
:: SUZI SUICIDA ::(Dinho/ Alvin L./ Mingau/ Kuaker/ Arnaldo Roganno)
Suzi era uma barbie suicida
muito parecida com alguém que eu conhecia
há muito tempo atrás
loura e decidida
pronta prá qualquer despedida
janelas e giletes
gás ou formicida
o trilho do metro era uma saída
a suzi era uma barbie suicida
suzi era uma barbie suicida
moderna e avançada
pronta pra mais uma temporada
no inferno
modelo e manequim
das perdidas ilusões
das quatro estações
dos homens de sua vida
ela quer voar
ela quer morrer
ela vai pular
vai se foder
:: LOST ::(Dinho)
I'm all mixed up
and my heads is spinning round
I'm wolking
but my feet don't touch the ground
I'm packing my things
and I'm leaving town
I can hear your voice
but I don't like its sound
I wanna get lost
where I can't be found
I'm leaving
this desert where nothing grows
I never reach the bottom
is allways a little below
I might be moving
but its much to slow
where I'm going
well I don't know
I wanna get lost
Where I can't be found
tired of being pushed and tossed around
I'm packing my things and leaving town
tired of being pushed and tossed around
I wanna get lost
Where I can't be found
:: AVENIDA PAULISTA ::(Dinho/ Alvin L.)
Quem tem fome de dinheiro e sucesso
quem tem fome de dinheiro e sexo
em cada canto do terraço mais alto
as curvas da estrada de santos
pessoas falam, falam, falam, falam
sobre nada, nada, nada, nada
A cidade submersa
em sorrisos perfeitos
a cidade submersa
em sonhos desfeitos
na avenida paulista
Taxis, telefones
e outros sobrenomes
ansiedade, diversão e fome
sexo, drogas e línguas estranhas
chegaram de fora procurando montanhas
conheça o paraíso
renda-se ao prazer
conheça o inferno
sem ter que morrer
:: INVERNO ::(Dinho/ Alvin L/ Mingau)
O cheiro do inverno
entra pela pele
frio como a neve
que eu nunca vi
se não chover todos verão
o inverno no seu corpo coberto
o gosto do inverno
entra pelos olhos
branca como as nuvens
que eu nunca toquei
se não amanhecer
todos verão
o inverno nos seus braços abertos
eu só ouço o silêncio
quebrar o gelo do inverno
o cheiro do inverno
brinca pelo sofá
leve como as flores
que eu nunca te dei
quando eu acordar todos verão
o inverno no meu quarto deserto
o gosto do inverno
anda de mãos dadas
com o vento quente
que nos envolveu
quando eu acordar todos verão
o inverno chegando mais perto
// F I C H A T É C N I C A //
1994 - VERTIGO
Gravadora: Rock IT (Emi)
Lançamento: 1994.
Produzido por Dado Villa Lobos
Masterizado e no Magic MAster por Ricardo Garcia
// C R Í T I C A //
1994 - VERTIGO
VERTIGO - EMI-Odeon - Vertigo
Kuaker (ex-guitarra/Yo-Ho-Delic), Arnaldo (bateria), Mingau (baixo/primeira formação dos Ratos De Porão) e Dinho (principal razão de eu detestar o Capital Inicial). O instrumental da estréia desta reunião de "ex-s" é eficiente e a produção de Dado Villa-Lobos surpreende pela clareza. Mas o que você espera ouvir ao apertar o play! Rock básico e simples! Dê um desconto ao Dinho, porque ele fica bonito de dreadlocks. Mas não basta furar o corpo com penduricalhos, tirar chinfra de independente, ter uma banda cool e achar que vamos esquecer de coisas como "Pedra Na Mão". E apesar dos esforços, o CD peca pela nulidade de faixas como "Suzi Suicida" e "Freiras Lésbicas Assassinas Do Inferno".
Alguma coisa aconteceu aqui em baixo
e eu comecei a suar
peixes nadando nas minhas veias
eu tenho a sensação que vou explodir
ou vou derreter dentro de você
vertigo, vertigo
alguma coisa aconteceu aqui em cima
e eu comecei a cair
a vida inteira em alguns segundos
eu tenho a impressão de poder voar
como tubarões em volta de você
vertigo, vertigo
cego entre bombas de fumaça
e eu respirando calor
fora de foco pela eternidade
eu tenho a sensação de querer
mergulhar no fogo com você
vertigo, vertigo
:: VIDA SELVAGEM ::Dinho/ Alvin L./ Mingau/ Kuaker)
A trilha sonora
morde os seus ouvidos
a história é a mesma
que já tinha partido
seu coração
ninguém viu
ninguém vai confessar
seus pais não gostam
mas você vai adorar
sorrindo como uma cascavel
vida selvagem
ninguém quer dormir
vida selvagem
ninguém vai desistir
o céu nem sempre é azul
o céu nem sempre
está do meu lado
vendo o mundo no retrovisor
ninguém ouviu
mas tavam todos lá
você pode estar tonto
mas não vai parar
sua mente começa a rodar
ninguém ouviu
mas tavam todos lá
o tempo passa
mas você vai se lembrar
cada segundo
essa é a sua
:: NOIABA CARLOS ::(Kuaker/ Dinho/ Alvin L.)
Hoje quando você chegar
vou rasgar a sua roupa
e desta vez eu quero te olhar
dentro da alma
agora parece que é o fim
mas se você tentar ir embora
minha pressa vai te amarrar
com toda calma
vou te amar pela última vez
e começar de novo amanhã
eu acordei de um sonho ruim
mas as coisas agora estão claras
rasguei mais uma página
da minha vida
a noite é longa e eu me esqueço
algumas pessoas nunca mudam
vamos de volta ao começo
ao ponto de partida
:: DIA DE CÃO ::(Alvin L./ Dinho)
Quebrei o vidro, a cara, a monotonia
atropelei as flores, o poste e o chão
saí da cama, do sério e da sua vida
e é só um dia de cão
mordi o pão, a história e a língua
andei a pé, atrás, até não poder mais
caí das nuvens, da mesa e na real
e é só um dia de cão
torci o braço, a frase e o sentido
rasguei a foto, a carne e o céu
pedi a chuva, jantar e o fim
e é só um dia de cão
:: FREIRAS LÉSBICAS ASSASSINAS DO INFERNO ::(Dinho/ Alvin L./ Mingau)
Bem vindo ao planeta sucata
onde o ar é marrom e a água mata
tudo é paz e amor na praia
dos biquínis invisíveis quando de repente
lá vem a tropa de salto alto
usando botas feitas de sangue e asfalto
dobermans disfarçados
de freiras assassinas
busto ½
viciadas em (gasolina, aspirina, cafeína, gelatina)
subiu na prancha e pegou
uma onda de crimes
desceu a rampa e bateu de frente
deus não tem nada a ver com isso
já esqueceu este lugar
a diversão só começa
se a polícia chegar
:: + ::(Dinho/ Alvin L.)
Simplifique não complique
amplifique e modifique
tenha calma e pacifique
duvide e verifique
intensifique e eletrifique
tente entender, não implique
plante e frutifique
não vá embora, fique
só o céu sabe o que ela viu no espelho
o futuro em cacos e distorção
um pedaço de vidro na areia da praia
uma bola perdida na multidão
eu arquivo, eu altivo
não cativo, nem cultivo
eu derivo do seu meio efetivo
incentivo, sem motivo
insensível acreditando em você
eu sobrevivo, sou esquivo
porém vivo
ele nunca pensava
em coisas importantes
nervos de aço e ambição
uma faca afiada no bolso da calça
um espinho atravessado no coração
:: HUSH ::(Joe South - Deep Purple)
I meet a little girl
she's on my mind
no doubt about it
she looks so fine
she's the best girl
that I ever had
sometimes she makes
me feel so bad
hush, hush
I thought I heard her calling
my name now
hush, hush
she broke my heart
I love her just now
hush, hush
I thought I heard her calling
my name now
I need her love
I just can explain now
love love
I got it early in the morning
love love
I got it late in the evening
love love
I wonder, I need it
love love
I got to got to love it
she's got a love that's like quikesand
it only took one touch
of her hard
she blew my mind
and I'm in so deep
I can't reach out
I can't sleep
:: SUZI SUICIDA ::(Dinho/ Alvin L./ Mingau/ Kuaker/ Arnaldo Roganno)
Suzi era uma barbie suicida
muito parecida com alguém que eu conhecia
há muito tempo atrás
loura e decidida
pronta prá qualquer despedida
janelas e giletes
gás ou formicida
o trilho do metro era uma saída
a suzi era uma barbie suicida
suzi era uma barbie suicida
moderna e avançada
pronta pra mais uma temporada
no inferno
modelo e manequim
das perdidas ilusões
das quatro estações
dos homens de sua vida
ela quer voar
ela quer morrer
ela vai pular
vai se foder
:: LOST ::(Dinho)
I'm all mixed up
and my heads is spinning round
I'm wolking
but my feet don't touch the ground
I'm packing my things
and I'm leaving town
I can hear your voice
but I don't like its sound
I wanna get lost
where I can't be found
I'm leaving
this desert where nothing grows
I never reach the bottom
is allways a little below
I might be moving
but its much to slow
where I'm going
well I don't know
I wanna get lost
Where I can't be found
tired of being pushed and tossed around
I'm packing my things and leaving town
tired of being pushed and tossed around
I wanna get lost
Where I can't be found
:: AVENIDA PAULISTA ::(Dinho/ Alvin L.)
Quem tem fome de dinheiro e sucesso
quem tem fome de dinheiro e sexo
em cada canto do terraço mais alto
as curvas da estrada de santos
pessoas falam, falam, falam, falam
sobre nada, nada, nada, nada
A cidade submersa
em sorrisos perfeitos
a cidade submersa
em sonhos desfeitos
na avenida paulista
Taxis, telefones
e outros sobrenomes
ansiedade, diversão e fome
sexo, drogas e línguas estranhas
chegaram de fora procurando montanhas
conheça o paraíso
renda-se ao prazer
conheça o inferno
sem ter que morrer
:: INVERNO ::(Dinho/ Alvin L/ Mingau)
O cheiro do inverno
entra pela pele
frio como a neve
que eu nunca vi
se não chover todos verão
o inverno no seu corpo coberto
o gosto do inverno
entra pelos olhos
branca como as nuvens
que eu nunca toquei
se não amanhecer
todos verão
o inverno nos seus braços abertos
eu só ouço o silêncio
quebrar o gelo do inverno
o cheiro do inverno
brinca pelo sofá
leve como as flores
que eu nunca te dei
quando eu acordar todos verão
o inverno no meu quarto deserto
o gosto do inverno
anda de mãos dadas
com o vento quente
que nos envolveu
quando eu acordar todos verão
o inverno chegando mais perto
// F I C H A T É C N I C A //
1994 - VERTIGO
Gravadora: Rock IT (Emi)
Lançamento: 1994.
Produzido por Dado Villa Lobos
Masterizado e no Magic MAster por Ricardo Garcia
// C R Í T I C A //
1994 - VERTIGO
VERTIGO - EMI-Odeon - Vertigo
Kuaker (ex-guitarra/Yo-Ho-Delic), Arnaldo (bateria), Mingau (baixo/primeira formação dos Ratos De Porão) e Dinho (principal razão de eu detestar o Capital Inicial). O instrumental da estréia desta reunião de "ex-s" é eficiente e a produção de Dado Villa-Lobos surpreende pela clareza. Mas o que você espera ouvir ao apertar o play! Rock básico e simples! Dê um desconto ao Dinho, porque ele fica bonito de dreadlocks. Mas não basta furar o corpo com penduricalhos, tirar chinfra de independente, ter uma banda cool e achar que vamos esquecer de coisas como "Pedra Na Mão". E apesar dos esforços, o CD peca pela nulidade de faixas como "Suzi Suicida" e "Freiras Lésbicas Assassinas Do Inferno".
Letras + Info
:: IRRESISTÍVEL ::
(Dinho / Alvin L. / Mingau / M. Subotic)
Eu achava que era o crime perfeito
Eu tinha o mundo na palma da minha mão
Eu achava que eu tinha o direito
Orgulho com um ponto de exclamação
Maior, melhor
Se fosse um dia
Seria Domingo
Eu queria ser o braço direito
Com o esquerdo sempre à disposição
Imaginava uma medalha no peito
Um exemplo pra minha geração
Maior, melhor
Se fosse um dia
Seria Domingo
:: MARCIANOS INVADEM A TERRA ::
(Renato Russo)
Diga adeus e atravesse a rua
Voamos alto depois das duas
Mas as cervejas acabaram e os
Cigarros também
Cuidado com a coisa, coisando por aí
A coisa coisa sempre é também coisa por aqui
Seqüestra o seu resgate, envenena a sua atenção
É verbo e substantivo, adjetivo e palavrão
E o carinha do rádio não quer calar a boca
E quer o meu dinheiro e as minhas opiniões
Ora, se você quiser se divertir
Invente as suas próprias canções
Será que existe vida em Marte
Janelas de hotéis
Garagens vazias
Fronteiras
Granadas
Lençóis
Existem muitos formatos
Que só tem verniz mas não tem invenção
E tudo aquilo contra o que sempre lutam
É exatamente tudo aquilo que eles são
Marcianos invadem a Terra
Estão inflando meu ego com ar
E quando acho que estou quase chegando
Eu tenho que dobrar mais uma esquina
E mesmo se eu tiver a minha liberdade
Não tenho tanto tempo assim
E mesmo se eu tiver a minha liberdade
Será que existe vida em Marte?
Será que existe vida em Marte?
Janelas de hotéis
Garagens vazias
Fronteiras
Granadas
Lençóis
:: ÁCIDO ::
(Kuaker)
Somos muitos e não somos ninguém
O tempo é curto, Deus me dê alguém
Hoje eu não sei, tudo está tão fácil
Hoje eu não sei, tudo está tão ácido
Um ritmo marca
A minha mente
A noite é festa, isso é uma sentença
Hoje eu não sei, tudo está tão fácil
Hoje eu não sei, tudo está tão ácido
O seu cheiro marca a presença
Nuvens carregadas de imprudência
Hoje eu não sei, tudo está tão fácil
Hoje eu não sei, tudo está tão ácido
:: CASTELS MADE OF SAND ::
(Jimi Hendrix)
Down the street can hear her scream
"You're a disgrace"
As the slams the door on his druken face
And now he stands outside
And all the neighbors start to gossip and drool
He cries "Oh girl you must be made,
What happened to the sweet love you, and me had?"
Against the door he leans and starts a scene
And his tears fall down
And burn the garden green
And so castles made of sand
Fall into the sea, eventually
A little indian brave, who before he was tem
Played war games in the woods
With his indian friends
And built a dream that wnhen he grew up
He'd be a fearless warrior indian chef
Many mooms passed more
And the dream grew strong
Until tomorrow he would sing
His first war song and fight his first battle
But something went wrong
Surprise attack killed him in his sleep
That night
And so castles made of sand
Fall into the sea, eventually
There was a young girl whose heart was a frown
'Cause she was crippled for life
And couldn't speak a sound
And she wished and prayed
She'd stop livin'
And so she decided to die
She pushed her wheelchair to the edge of the shore
And to her legs she smiled:
"You won't hurt me no more"
But then a sight she'd never seen
Made her stop, and go:
"Look, a golden ship is passing my way"
And so castles made of sand
Fall into the sea, eventually
:: ELA MORDE ::
(Dinho / Alvin L. / Mingau)
Pedaços da noite passada
Pela sala, e pelo quarto
Eu acordei procurando
As minhas pernas
E meus braços
Devagar, pra não pisar
Em espelhos quebrados
Raios, distorção
E nos pecados que eu cometo
Quando ela pergunta sorrindo
Se eu ainda quero mais
A rua deve ter acordado
No meio da madrugada
Tentando saber quem deve ter sido
E quem não dormiu
Devagar, pra não arranhar
O que sobrou intacto
Raios, distorção
E nas fogueiras em que eu me jogo
Quando ela pergunta sorrindo
Se eu ainda quero mais
:: ALGUÉM COMO EU ::
(Alvin L.)
Eu nunca tive muito cuidado
Você não sabe quem está do seu lado
Um segundo, alguma coisa pode acontecer
Eu fiz tudo que eu achava certo
Eu vou ser preso se eu chegar mais perto
Olha agora, talvez eu só precise te dizer
Todo mundo quer alguém
Todo mundo eu também
Porque será que você não percebeu
Que você quer alguém, como eu?
As suas noites são tão vazias
Eu quero todas e todos os dias
Nada disso, o tempo todo nem olhou pra mim
Eu sei que dizem que o amor é cego
O seu é surdo mas eu enxergo
Olha agora, talvez eu só precise te dizer
Todo mundo quer alguém
Todo mundo eu também
Porque será que você não percebeu
Que você quer alguém, como eu?
:: LA COSTA DEL CRIME ::
(Alvin L. / M.Subotic / Kuaker / Mingau / Dinho)
Não me pergunte
O que você já sabe
É tão tocante
Que dá vontade
De ter vontade de chorar
Eu sinto muito
Mas eu não sinto nada
Eu sou do tipo
Que sempre quer
O que não pode ter
Passar o verão
Na Costa del Crime
Não seja forte
Relaxe e caia
Areia quente
Me dá vontade
De estar sozinho
Em alto mar
Eu sinto muito
Mas eu não sinto nada
:: KUALA LUMPUR ::
(M. Subotic / Dinho)
Instrumental
:: STORMS ::
(Dinho / Mingau)
Hold on tight, try to keep together
Check your brakes, get ready for the ride
Show me a new direction
Tell me something that I don't know
Will the wind turn everything upside down
My bones react to the change in the weather
Will the wind turn everything upside down
I feel tossed around just like a feather
Storms keep coming my way
A little bit closer every day
Storms keep coming my way
I just can't seem to keep away
Being blown away, swirling in the air
Everything looks smaller, up here in the clouds
I wonder where I'll land
Further and further, I just let go
Will the wind turn everything upside down
I don't want to be left behind
Will the wind turn everything upside down
This place looks strange, but I don't mind
Storms keep coming my way
A little bit closer every day
Storms keep coming my way
I just can't seem to keep away
:: ECHO ::
(Kuaker)
Julia
Debulha
No sexo
Segura
O falo
Eu falo
Que Julia
Debulha
Não pense que eu não penso
Não pense que eu só penso em sexo
Não pense que não quero
Mas é com Julia que eu quero
Julia
Segura
Meu sexo
Debulha
O falo
Eu falo
Com Julia
Tem nexo
Não pense que eu não penso
Não pense que eu só penso em sexo
Não pense que não quero
Mas é com Julia que eu quero
:: AO SOM DE UM TAMBOR ::
(Frejat / Dulce Quental)
Os físicos, os surfistas
Os meditantes, os espíritas
Terra, céu, humanos animais
Todas as formas que a vida toma...
Todos objetos dentro do seu olhar
Cidades, continentes, constelações
Pessoas em ruas distantes
Razões sensíveis, corações
É difícil acreditar
Nas lágrimas, nas máquinas, na flor
Todas as formas que a vida toma
Pra falar de amor
Ao som de um tambor, pra falar de amor
Homens caindo, homens caminhando
Homens trabalhando, ondas de calor
Todas as formas que a vida toma...
Todos objetos dentro do seu olhar
Cidades, continentes, constelações
Pessoas em ruas distantes
Razões sensíveis, corações
É possível respirar, no ar
Sob a água, apesar da dor
Todas as formas que a vida toma
Pra falar de amor
Ao som de um tambor, pra falar de amor
// FICHA TÉCNICA //
1995 - DINHO OURO PRETO
Gravadora: Rock IT (Virgin)
Lançamento: 1995.
Produzido por Mitar SuboticDado Villa Lobos
Gravado no Wah-Wah Studio de Junho a Agosto de 95.
// C R Í T I C A //
1995 - DINHO OURO PRETO
Edição 127 - Fev.1996 Revista BIZZ
por Cláudia Grechi
DINHO OURO PRETO - Dinho Ouro Preto - Rock It/Virgin Records
Ex-Capital regenerado
Cada década tem o Dinho que merece. Os anos 80 deixaram como saldo o ex-sex-symbol e ex-Capital Inicial Dinho Ouro Preto. Acalme-se. Dinho lançou um dos bons CDs nacionais de 95. Com a produção impecável e esperta de Mitar Subotic, ele entra em grande estilo na modernidade dos 90. Por "Marcianos Invadem A Terra" (de Renato Russo), "Echo", "Irresistível", "Ácido" e "Castles Made Of Sand" (de Jimi Hendrix e faça cara feia!), Dinho Ouro Preto merece credibilidade. Deixe o preconceito e ouça o CD.
(Dinho / Alvin L. / Mingau / M. Subotic)
Eu achava que era o crime perfeito
Eu tinha o mundo na palma da minha mão
Eu achava que eu tinha o direito
Orgulho com um ponto de exclamação
Maior, melhor
Se fosse um dia
Seria Domingo
Eu queria ser o braço direito
Com o esquerdo sempre à disposição
Imaginava uma medalha no peito
Um exemplo pra minha geração
Maior, melhor
Se fosse um dia
Seria Domingo
:: MARCIANOS INVADEM A TERRA ::
(Renato Russo)
Diga adeus e atravesse a rua
Voamos alto depois das duas
Mas as cervejas acabaram e os
Cigarros também
Cuidado com a coisa, coisando por aí
A coisa coisa sempre é também coisa por aqui
Seqüestra o seu resgate, envenena a sua atenção
É verbo e substantivo, adjetivo e palavrão
E o carinha do rádio não quer calar a boca
E quer o meu dinheiro e as minhas opiniões
Ora, se você quiser se divertir
Invente as suas próprias canções
Será que existe vida em Marte
Janelas de hotéis
Garagens vazias
Fronteiras
Granadas
Lençóis
Existem muitos formatos
Que só tem verniz mas não tem invenção
E tudo aquilo contra o que sempre lutam
É exatamente tudo aquilo que eles são
Marcianos invadem a Terra
Estão inflando meu ego com ar
E quando acho que estou quase chegando
Eu tenho que dobrar mais uma esquina
E mesmo se eu tiver a minha liberdade
Não tenho tanto tempo assim
E mesmo se eu tiver a minha liberdade
Será que existe vida em Marte?
Será que existe vida em Marte?
Janelas de hotéis
Garagens vazias
Fronteiras
Granadas
Lençóis
:: ÁCIDO ::
(Kuaker)
Somos muitos e não somos ninguém
O tempo é curto, Deus me dê alguém
Hoje eu não sei, tudo está tão fácil
Hoje eu não sei, tudo está tão ácido
Um ritmo marca
A minha mente
A noite é festa, isso é uma sentença
Hoje eu não sei, tudo está tão fácil
Hoje eu não sei, tudo está tão ácido
O seu cheiro marca a presença
Nuvens carregadas de imprudência
Hoje eu não sei, tudo está tão fácil
Hoje eu não sei, tudo está tão ácido
:: CASTELS MADE OF SAND ::
(Jimi Hendrix)
Down the street can hear her scream
"You're a disgrace"
As the slams the door on his druken face
And now he stands outside
And all the neighbors start to gossip and drool
He cries "Oh girl you must be made,
What happened to the sweet love you, and me had?"
Against the door he leans and starts a scene
And his tears fall down
And burn the garden green
And so castles made of sand
Fall into the sea, eventually
A little indian brave, who before he was tem
Played war games in the woods
With his indian friends
And built a dream that wnhen he grew up
He'd be a fearless warrior indian chef
Many mooms passed more
And the dream grew strong
Until tomorrow he would sing
His first war song and fight his first battle
But something went wrong
Surprise attack killed him in his sleep
That night
And so castles made of sand
Fall into the sea, eventually
There was a young girl whose heart was a frown
'Cause she was crippled for life
And couldn't speak a sound
And she wished and prayed
She'd stop livin'
And so she decided to die
She pushed her wheelchair to the edge of the shore
And to her legs she smiled:
"You won't hurt me no more"
But then a sight she'd never seen
Made her stop, and go:
"Look, a golden ship is passing my way"
And so castles made of sand
Fall into the sea, eventually
:: ELA MORDE ::
(Dinho / Alvin L. / Mingau)
Pedaços da noite passada
Pela sala, e pelo quarto
Eu acordei procurando
As minhas pernas
E meus braços
Devagar, pra não pisar
Em espelhos quebrados
Raios, distorção
E nos pecados que eu cometo
Quando ela pergunta sorrindo
Se eu ainda quero mais
A rua deve ter acordado
No meio da madrugada
Tentando saber quem deve ter sido
E quem não dormiu
Devagar, pra não arranhar
O que sobrou intacto
Raios, distorção
E nas fogueiras em que eu me jogo
Quando ela pergunta sorrindo
Se eu ainda quero mais
:: ALGUÉM COMO EU ::
(Alvin L.)
Eu nunca tive muito cuidado
Você não sabe quem está do seu lado
Um segundo, alguma coisa pode acontecer
Eu fiz tudo que eu achava certo
Eu vou ser preso se eu chegar mais perto
Olha agora, talvez eu só precise te dizer
Todo mundo quer alguém
Todo mundo eu também
Porque será que você não percebeu
Que você quer alguém, como eu?
As suas noites são tão vazias
Eu quero todas e todos os dias
Nada disso, o tempo todo nem olhou pra mim
Eu sei que dizem que o amor é cego
O seu é surdo mas eu enxergo
Olha agora, talvez eu só precise te dizer
Todo mundo quer alguém
Todo mundo eu também
Porque será que você não percebeu
Que você quer alguém, como eu?
:: LA COSTA DEL CRIME ::
(Alvin L. / M.Subotic / Kuaker / Mingau / Dinho)
Não me pergunte
O que você já sabe
É tão tocante
Que dá vontade
De ter vontade de chorar
Eu sinto muito
Mas eu não sinto nada
Eu sou do tipo
Que sempre quer
O que não pode ter
Passar o verão
Na Costa del Crime
Não seja forte
Relaxe e caia
Areia quente
Me dá vontade
De estar sozinho
Em alto mar
Eu sinto muito
Mas eu não sinto nada
:: KUALA LUMPUR ::
(M. Subotic / Dinho)
Instrumental
:: STORMS ::
(Dinho / Mingau)
Hold on tight, try to keep together
Check your brakes, get ready for the ride
Show me a new direction
Tell me something that I don't know
Will the wind turn everything upside down
My bones react to the change in the weather
Will the wind turn everything upside down
I feel tossed around just like a feather
Storms keep coming my way
A little bit closer every day
Storms keep coming my way
I just can't seem to keep away
Being blown away, swirling in the air
Everything looks smaller, up here in the clouds
I wonder where I'll land
Further and further, I just let go
Will the wind turn everything upside down
I don't want to be left behind
Will the wind turn everything upside down
This place looks strange, but I don't mind
Storms keep coming my way
A little bit closer every day
Storms keep coming my way
I just can't seem to keep away
:: ECHO ::
(Kuaker)
Julia
Debulha
No sexo
Segura
O falo
Eu falo
Que Julia
Debulha
Não pense que eu não penso
Não pense que eu só penso em sexo
Não pense que não quero
Mas é com Julia que eu quero
Julia
Segura
Meu sexo
Debulha
O falo
Eu falo
Com Julia
Tem nexo
Não pense que eu não penso
Não pense que eu só penso em sexo
Não pense que não quero
Mas é com Julia que eu quero
:: AO SOM DE UM TAMBOR ::
(Frejat / Dulce Quental)
Os físicos, os surfistas
Os meditantes, os espíritas
Terra, céu, humanos animais
Todas as formas que a vida toma...
Todos objetos dentro do seu olhar
Cidades, continentes, constelações
Pessoas em ruas distantes
Razões sensíveis, corações
É difícil acreditar
Nas lágrimas, nas máquinas, na flor
Todas as formas que a vida toma
Pra falar de amor
Ao som de um tambor, pra falar de amor
Homens caindo, homens caminhando
Homens trabalhando, ondas de calor
Todas as formas que a vida toma...
Todos objetos dentro do seu olhar
Cidades, continentes, constelações
Pessoas em ruas distantes
Razões sensíveis, corações
É possível respirar, no ar
Sob a água, apesar da dor
Todas as formas que a vida toma
Pra falar de amor
Ao som de um tambor, pra falar de amor
// FICHA TÉCNICA //
1995 - DINHO OURO PRETO
Gravadora: Rock IT (Virgin)
Lançamento: 1995.
Produzido por Mitar SuboticDado Villa Lobos
Gravado no Wah-Wah Studio de Junho a Agosto de 95.
// C R Í T I C A //
1995 - DINHO OURO PRETO
Edição 127 - Fev.1996 Revista BIZZ
por Cláudia Grechi
DINHO OURO PRETO - Dinho Ouro Preto - Rock It/Virgin Records
Ex-Capital regenerado
Cada década tem o Dinho que merece. Os anos 80 deixaram como saldo o ex-sex-symbol e ex-Capital Inicial Dinho Ouro Preto. Acalme-se. Dinho lançou um dos bons CDs nacionais de 95. Com a produção impecável e esperta de Mitar Subotic, ele entra em grande estilo na modernidade dos 90. Por "Marcianos Invadem A Terra" (de Renato Russo), "Echo", "Irresistível", "Ácido" e "Castles Made Of Sand" (de Jimi Hendrix e faça cara feia!), Dinho Ouro Preto merece credibilidade. Deixe o preconceito e ouça o CD.
Letras + Info
:: JARDIM DAS GUEIXAS ::
Ciro Pessoa-Ed. Warner/Chappell
Sentado em cima da pedra
Vejo clarões no céu
Nos sonhos que já sonhei
Me encontro neste lugar
Entre orquídeas e pontes
Cores a decifrar
Jardim das gueixas
O sonho leva as minhas mãos
Os tigres que já enfrentei
Agora cuidam de mim
As mãos que pegam nas minhas
Me convidam pra ver
Os raios de um sol cool
Passando pelos vitrais
Jardim das gueixas
O sonho leva as minhas mãos
:: NADA POR ESPERAR ::
Débora Blando / Fê Lemos
Eu gosto desse jeito que você está
Me sedando e me entorpecendo
Gosto de pensar que perder
Os meus sentidos é a solução
Gosto de saber que nas ruas sem saída
É onde eu me acho
Agora vou fechar meus olhos para
Não te ver no rosto de um estranho
Gosto de pensar que hoje eu vou te ter
Do jeito que eu imagino
Sem fronteiras nem bandeiras,
De frente para o destino
Vem me segurar e me libertar do tempo
Que é imperdoável
Vem me proteger para eu enfrentar
O medo que me faz escravo
Nado em suas águas
Deságuo nas ondas do mar
Sem vela, na tempestade
Nada por esperar
:: CASTELO DE CRISTAL ::
Silvana / Fê Lemos
Às vezes
Precisamos fazer
Tudo acontecer
Como um conto de fadas
Às vezes
Quero acreditar
Que tudo vai passar
Como um conto de fadas
Às vezes
Quero acreditar
Que você vai ficar
E nada vai me faltar
Mas sempre
Sempre acordo sozinha
Castelos feitos no ar
Como um conto de fadas
Acordo com a febre da rua
Junto aos restos do que sobrou
Tento não lembrar, tarde demais,
Cacos de vidro refletem a minha dorPensamos
Que o mundo conspira
Pra nossa alegria
E o resto virá de graça
Sonhamos
Que todas as mentiras
Mortalmente feridas
Decerto vão dissipar
E a trilha
Coberta pela neblina
Um leve sopro de vida
De novo vai nos guiar
Mas quando
A infância termina
Destruída por brigas
Quem é que vai me ajudar
:: IMPRESSÃO ::
Fê Lemos
A primeira impressão
é a que fica...
A primeira impressão
é a que fica...
Fica...
:: DESCENDO O VELHO CHICO ::
Talita / MJ Laurent / Fê Lemos
Eu tenho quinze anos
Mais parecem cento e trinta
Há tantas coisas pra ver
Que eu só vi na TV
Eu quero cair na vida
Eu quero melibertar
Ta tudo seco aqui
Preciso me salvar
O que ela pode fazer
Se ela tem fome de viver
O que ela pode fazer
Se ela tem sede de prazer
Sua mãe pobre coitada
Não acreditava no que ouvia
E ralando a rapadura
Repetia a ladainha
“Minha filha, ouve bem,
Escuta o que eu vou dizer:
O teu lugar é aqui, minha filha,
Paga pra tu ver!”O que ela pode fazer
Se ela tem fome de viver
O que ela pode fazer
Se ela tem sede de prazer
Dá um gole dessa pinga
Adeus linda caatinga
Dá um gole de cachaça
Adeus velha bruaca
Eu disse adeus velha bruaca
Adeus linda caatinga
Adeus
:: BUSTED IN BRAZIL ::
Fê Lemos
Faixa instrumental
:: O DESEJO FAZ DANÇAR ::
Débora Blando / Fê Lemos
Amanhece o dia
Ainda não dormi
Passo o tempo pensando
Como vai ser quando acontecer
Tudo aquilo que eu pressinto
Estou aqui por você
O que mais eu nem sei
Sou assim só com você
Você me deixa a fim
Te quero pra mim
Nada vai mudar
Espero que sim
Sempre vou te amar
Vcê me atrai
O desejo faz dançar
E me satisfaz
Parece um filme que
Jamais começa
Eu aqui te esperando
Às perguntas que ainda vão surgir
Você responde sem me ferirQuando te vi, sem tocar
Só de olhar eu já pequei
O teu calor num beijo meu
No que vai dar eu já sei
:: GENTE QUE PASSA ::
Ariela / Fê Lemos
Gente branca, quente
Danada de ruim
Gente grande, gostosa
Gente, brava gente
Estúpida e metódica
Gente decadente, grossa
Gente velha, feia
Doida, burra e porca
Gente fina, morta
Ilustre e atrevida
Gente elétrica
Insistente, distinta
Gente fria, morna
Ardente, erótica
Gente, gente, gente
Que passa
Gente, gente
Que ficou pra trás
Gente, gente, gente
Que passa gente
Gente, gente que
Ficou pra trás
Passa gente, passa gente
Passa, passa, passa
Gente que mente
Passa, passa, passa
Passa gente
Gente, gente, gente, gente
Gente que passa
Gente, gente, gente que
Ficou pra trás
Gente mente, mente, mente
E mata
Gente
:: DIBI E VICKY (Brincando no quarto secreto) ::
Fê Lemos
Faixa instrumental
:: A CASA DA LUZ VERMELHA ::
Fê Lemos
Ela: Não!... Não!...
Ele: Ahn... Ahn..., ahn, ahn, ahn...
Ele: Mais, mais, mais, mais, mais, mais
Forte, mais forte...
Ele: Mais forte!
Narrador: A casa...
Ele: Agora você vai ser minha!
Narrador: A casa da luz vermelha
Fica atrás da colina
Curral de negras ovelhas
Que o sol n~~ao ilumina
Ela: Eu sou virgem, não
:: NEM MAR, NEM PUTO ::
Fê Lemos
Nessa estada que eu vou caminhando
Eu admiro o que vou encontrando
Olho pra lá, olho pra cá
Sempre mudando, parece um encanto
A saudade me persegue
A novidade até que diverte
No balanço da corda bamba
Meio travado tocando o meu barco
Qual será o seu motivo
O que que você está esperando
Quando eu vejo alguém vacilando
Eu caio fora
Se liga nos toques, confia na sorte
Não anda de lado, guenta o tranco
Olha onde você está pisando
Não vá cair por engano
Nesta estrada de curvas e retas
Às vez... Outras na certa
Eu nunca paro pra pensar, não
Eu nunca penso em parar
Não sei o que vem atrás do morro
Talvez em perigo, quem sabe acho
Um poço
Água pura pra lavar o meu rosto
Ou lama lá da rua pra cagar no
Meu olho
Mas se um dia tua sorte mudar
E te deixar mal no pedaço
Sem ter pra onde ir, nem como voltar
Não banque o palhaço
Agradeça a Mãe Natureza
Por ainda estar vivo
Respira, a estrada é longa, certeza
E cante comigo
Se eu não tenho mar, nem
Um puto
Nem alguém para amar
Tudo o que eu posso fazer
É cantar...
// FICHA TÉCNICA //
2005 - HOTEL BÁSICO
Produzido por Franco Junior e Fê Lemos
Impressão produzida por VJ Vanni, Frnco Junior e Fê Lemos
Dibi e Vicky (Brincando no quarto secreto) produzida por Fê Lemos
Gravado no M4J Studio, São Paulo
Dibi e Vicky (Brincando no quarto secreto)
Gravada e mixada no DM Estúdio,
São Paulo, 1997
Produção de Pro-Tools: André “Kabelo” Sangiacomo Mixado por Frnco Junior e Fê Lemos
Masterizado por Renato Patriarca
// RELEASE //
2005 - HOTEL BÁSICO
"Nos sonhos que já sonhei, me encontro neste lugar...”
Jardim das Gueixas/Ciro Pessoa-Ed.Warner/Chappell
Depois de mais de 20 anos no mundo dos ton-tons com a banda Capital Inicial, o baterista Fê Lemos descobre a musicalidade do mundo dos tons.
Faixas produzidas em inumeráveis hotéis, intermináveis noites que ficaram na sua memória.
Com produção de Franco Junior, o CD começou a ser composto a partir de 1989. A trilha de Fê Lemos é fascinante, faz dançar e traz parcerias inéditas em vozes femininas e do próprio criador. O resultado eletrônico de “Hotel Básico” é detalhado pelo próprio autor, através de dez perguntas para Fê Lemos. Sugerimos ler ouvindo faixa a faixa...
1) Porque “Hotel Básico”?
Fê Lemos - Eu passo grande parte da minha vida dentro de hotéis, por causa dos meus compromissos com o Capital Inicial. Em 2001 eu estava trabalhando em uma música no meu laptop, em um hotel em São Paulo , enquanto minha namorada dormia, na cama à minha frente. Pensei em nomes para a música que eu estava fazendo, e isso me levou a pensar no estilo da música: era um drum ‘n’ bass, um chill-out, um house, ou apenas uma canção pop, feita no computador? Comecei a pensar nesses nomes, e ‘house’ (casa) me trouxe imagens da minha casa, e da casa que eu vivia atualmente, um hotel, mas, não apenas aquele hotel, mas inumeráveis hotéis, intermináveis hotéis. Esta noite ficou na minha memória.
Alguns anos depois, durante a gravação do CD, após a participação das cantoras convidadas, eu, conversando com o Franco Junior, disse que aquela situação, as várias parcerias, tinha algo a ver com um lugar onde pessoas, desconhecidas entre si, vão para fazer alguma coisa, secretamente, como um hotel, ou motel (…). Me lembrei daquela noite em 2001, e achei que havia alguma coisa aí. O hotel, então, se referiria às diversas participações, e ao fato de eu ter composto as músicas em diversos locais, na estrada, e não em um estúdio. Mas que espécie de hotel? A imagem que me veio não foi dos hotéis luxuosos, que eu tinha passado a me hospedar após o sucesso do CD ‘Acústico - MTV’ , mas sim as tranqueiras que já tinha, e ainda encaro, pelo Brasil a fora. Um hotel básico, enfim. E o nome surgiu.
2) Quando você começou a compor música eletrônica?
Fê Lemos - Em 1987, o tecladista Bozzo Barreti passa a fazer parte do Capital Inicial, e ele nos apresenta dois equipamentos, um chamado ‘sequencer’, ou sequenciador, e o outro o ‘sampler’ ou sampleador. Através da tecnologia MIDI, o sequencer é capaz de gravar uma performance nos teclados, ou numa bateria eletrônica, e depois reproduzi-la, corrigindo o que estava errado, acrescentando novos timbres etc. O sampler permitiu ao músico ter acesso a qualquer tipo de som, de um ruído a uma orquestra, e também a poder ‘roubar’ qualquer som e incorporá-lo à sua composição. Essa tecnologia tornou o músico auto-suficiente para gravar sem precisar entrar em um estúdio. Fiquei fascinado pela possibilidade de poder compor, eu não tocava nenhum instrumento melódico, mas com esses equipamentos as portas da criação musical se abririam para mim. Em 1988 adquiri meu primeiro sampler, um AKAI S-900, e um sequencer ALESIS MMT-8, e me joguei de cabeça no mundo dos tons, depois de quinze anos no mundo dos ton-tons…olvimento desse novo lado na sua carreira?
Fê Lemos - Foi lento. A minha carreira musical sempre foi condicionada ao Capital Inicial, com sua agenda extensa e intensa, e por eu ser o baterista. Os primeiros anos são gastos para entender e dominar aquele mundo novo. Eu não tinha nenhuma experiência com teclados, e meu ouvido não era treinado. Em 89, eu gravo pela primeira vez uma composição minha: a batida e o refrão da música ‘Mambo Club’ do disco “Todos os Lados” do Capital Inicial surgem das minhas experiências com programação musical. Em 1991 as músicas ‘Chuva’ e ‘Auá-auá’ do disco “Eletricidade” também. Nos anos seguintes, começo a ouvir música eletrônica regularmente, e aperfeiçoo minhas composições. As primeiras parcerias só surgem em 94, quando sincronizo pela primeira vez guitarras e vocais com o computador, que nesta época já havia substituído o sequencer. Em 96 e 97, sou sócio de um estúdio comercial em São Paulo , e novas parcerias surgem. Em 98, o Capital Inicial grava ‘Paz no matadouro’ - uma composição minha. É nesta época que começo a pensar em gravar um CD. Também fica claro: eu dependeria de parcerias para poder gravá-lo.
4) E quando você decidiu que ia finalmente gravar o seu primeiro CD?
Fê Lemos - Em 1999, a crescente agenda do Capital Inicial desde o retorno à formação original no ano anterior me afasta da composição, e o computador passa a servir para responder e-mails e organizar o site. Em 2000, o lançamento do ‘Acústico MTV’ transforma nossas vidas, e tem sido assim desde então. Mas em maio de 2003, durante a turnê do disco seguinte, “Rosas e Vinho Tinto”, eu lembrei mais uma vez do meu sonho de gravar um CD, e simplesmente decidi que se eu não criasse a oportunidade para gravá-lo, ela nunca iria aparecer. E foi isso. Trouxe para São Paulo meu home-studio que estava em Brasília, vasculhei meu arquivo de canções, e durante quatro meses preparei um CD-demo com o que eu achava mais representativo dos meus dez anos como compositor eletrônico.
5) Quem é Franco Junior, o co-produtor do seu CD?
Fê Lemos - Ele é um amigo de longa data, de São Paulo. Ele é tecladista, produtor e compositor. Surgiu no cenário musical na mesma época em que o Capital Inicial, tocando com Kiko Zambianchi. Tocou com o RPM na sua segunda formação. Foi tecladista e técnico de som do Capital Inicial nos anos 90. Descobriu a música eletrônica mais ou menos na mesma época em que eu, e trabalhou ativamente neste segmento, produzindo discos para artistas como DJ Mau-Mau, M4J, Lunatics, Edson Coelho, Laura Finokiaro, entre outros. Foi produtor e compositor da primeira banda de eletrônica/industrial do Brasil, o P.U.S., por coincidência também de Brasília.
6) Quem são seus parceiros, e como eles surgiram?
Fê Lemos - O primeiro a trabalhar comigo foi MJ Laurent, um cantor e compositor gaúcho que morou em São Paulo nos anos 90. Hoje em dia ele é instrutor de rafting em Santa Catarina. Ele criou a melodia de ‘Descendo o Velho Chico’.
O Fejão é um caso a parte, ele foi sem dúvida o músico mais brilhante que Brasília já produziu. Seu talento foi um privilégio que infelizmente poucos puderam apreciar. Ele faleceu há alguns anos. De 93 a 94, ele trabalhou como roadie do CI, uma maneira de conseguir algum dinheiro em São Paulo , enquanto tentava fazer decolar sua carreira como guitarrista e compositor do Dungeon, uma excelente banda de metal que refletia aqui no Brasil o renascimento desse gênero de rock no mundo. Uma tarde convidei-o para gravar alguma coisa para uma música que eu havia feito, após um almoço em casa. Ele deixou a guitarra e o baixo de ‘Descendo o Velho Chico’ para nós.
A Ariela foi a primeira parceira, da época do meu estúdio em São Paulo. Ela é a mãe do Fred, sobrinho do Dinho. Tivemos uma banda juntos, o Bah!, que deixou algumas fitas DAT gravadas, mas nunca se apresentou ao vivo. Ela criou a melodia e escreveu a letra de ‘Gente que Passa’. Quando decidi que ‘Impressão’ precisava de uma voz feminina sussurrando a frase ‘A primeira impressão é a que fica’, que eu lembrava de uma antiga propaganda das lâminas de barbear Gillette, já sabia quem chamar.
A Silvana é da mesma época, me foi apresentada por uma amiga em comum. Ela cantava em bares em São Paulo , e a convidei para passar no estúdio. Mostrei-lhe uma música que eu havia feito há algum tempo, eu a chamava de ‘Hong Kong Love’ porque tinha um clima oriental. Eu tinha acabado de escrever uma letra para minha filha, chamada ‘Castelo de Cristal’, eu havia me divorciado havia pouco tempo. Ela leu a letra e criou a melodia no ato. Gravei aquele momento em fita, mas não voltamos a nos encontrar. Cinco anos depois recriamos ‘Castelo de Cristal’. Pedi também para ela cantar o refrão de ‘Nem mar, nem um puto’, que os fãs antigos do CI vão reconhecer. Foi gravada como uma vinheta no disco ‘Eletricidade’, com o título de ‘Auá-auá’.
A Debora Blando dispensa apresentações. Nos conhecemos desde os anos 80. Porém, nosso reencontro merece ser contado. A Debora morou vários anos nos Estados Unidos, e eu não a via desde meados dos anos 90. Um dia, no final de 2003, eu estava em um hotel (mais um…) no interior de São Paulo. Estava zapeando a tv, matando o tempo, esperando o show daquela noite. De repente, aparece a Debora, fazendo um playback num desses programas de auditório de sábado à tarde. Caramba! pensei, há quanto tempo não vejo essa mulher! Será que ela está de volta ao Brasil? E se… E nesse momento o telefone de contato dela apareceu na tela. Anotei, e liguei. Falei com o produtor dela, que me passou seu telefone. E a história foi feita. A Débora estava sim de volta ao Brasil, morando em Florianópolis - ela é manezinha da Ilha - , mas procurando um apê em São Paulo. Ela passou no estúdio, mostrei a demo e perguntei se ela gostaria de participar do projeto. Ela escolheu ‘Nada por esperar’ (o título de trabalho era ‘Sex in the shadow’, ainda não tinha letra). Gravei um CD com a demo da música para ela levar para casa, e ficamos de nos falar no Ano Novo. No carnaval de 2004, eu estava velejando na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, e liguei de novo para ela. Ela tinha criado a melodia, e queria me mostrar. Fiquei muito emocionado, ela sentada em frente ao laptop, no meu quarto no hotel (mais um…), ouvindo a base nos fones de ouvido e gravando o ‘lá lá lá’ da melodia no microfone do próprio laptop! De volta a São Paulo, nos encontramos e escrevemos a letra juntos. Convidei-a para gravar mais uma música, e desta vez eu mostrei ‘O Desejo faz dançar’ (o título de trabalho era ‘O botão quebrado’). Era nesta em que eu queria a sua voz, desde o começo. Fizemos a letra juntos, a letra mais romântica do CD. Ela é uma cantora extraordinária, a participação dela enriqueceu imensamente este projeto. E pensar que surgiu de uma coincidência, de uma probabilidade quase impossível de imaginar…
Finalmente, a Talita. Ela é uma jovem cantora paulistana, da cena de rock underground. Canta numa banda chamada Motores. Eu a conheci através de amigos em comum, os músicos da banda dela são velhos conhecidos. Eu não tinha quem cantasse ‘Descendo o Velho Chico’, uma letra irônica que ao meu ver requeria uma certa dose de coragem para ser interpretada. A cantora precisaria ‘encarnar’ o personagem da retirante nordestina adolescente, e cantar com raiva. Convidei-a uma certa noite de 2004, para passar no estúdio e ouvir do que se tratava. E ela arrasou! Propôs uma alteração num dos versos da letra, prontamente aceita. O vigor da sua interpretação é contagiante, em uma das faixas mais difíceis do CD, por causa das dificuldades técnicas de resgatar a gravação original em K7(!) da guitarra e do baixo interpretados pelo Fejão.
7) Como surgiu a idéia da capa do CD?
Fê Lemos - Foi o meu amigo Eduardo ‘Balé’ Raggi quem teve a idéia. Ele é um artista gráfico, músico eletrônico e DJ de Brasília. Quando falei que estava produzindo o meu primeiro CD, em 2003, ele se ofereceu para fazer a capa, e me perguntou qual era o título. Durante 2004, ele mandou algumas idéias por e-mail, que faziam referências à quartos de hotel: uma cama (inclusive muito parecido com uma foto do encarte do novo CD do Moby, lançado poucos meses atrás, intitulado… “Hotel”… - as idéias estão no ar!), ou uma foto de um aparelho de tv dos anos 70, a tela refletindo o interior de um quarto. Mas a capa tomou forma quando ele me sugeriu fazer a foto num hotel mesmo, a rigor. Eu poderia ser o gerente, por exemplo, e poderia haver um hóspede entrando, pegando a chave, ou saindo para uma balada. Adorei a idéia, e passei o final de 2004 produzindo a foto, com a ajuda da minha namorada, a estilista Bel Murray. Ela é a hóspede que aparece na capa, conversando comigo. A locação foi no Hotel Cambridge, em São Paulo. A Bel produziu o figurino, juntos produzimos os objetos do cenário, e fomos fotografados pelo Marcelo Rossi. E se você reparar bem, as fotos contam uma história. É só usar a imaginação e prestar atenção aos detalhes,,,
8) Você pretende apresentar este projeto ao vivo?
Fê Lemos - Sim, mas não a curto prazo. Como é um disco eletrônico, provavelmente eu vou optar pelo formato ‘live PA’, onde eu mixaria as faixas e os loops ao vivo com as cantoras e os músicos convidados, eventualmente tocando a bateria junto com o computador. Este projeto envolveu pessoas com agendas próprias... seguimos conciliando o projeto com ensaios necessários e as agendas de cada um. Logo (muito breve) nos encontraremos nas cabines de som, palcos ou em algum "Hotel Básico"...
9) Você cantou em alguma canção deste disco?
Fê Lemos - Eu canto em duas músicas: ‘Jardim das Gueixas’, uma regravação da música do Ciro Pessoa, originalmente lançada no disco “Fósforos de Oxford”, do Cabine C, de 1987. Sempre gostei deste disco, e há alguns anos tive a idéia de fazer um drum ‘n’ bass desta música. Percebi que poderia dobrar o andamento, fazer um loop da introdução de guitarra, e a partir daí eu teria um caminho para seguir. Mas foi difícil cantar, tive que vencer minha insegurança e me acostumar com o som da minha voz.
A outra canção que eu canto é “Nem mar, nem um puto”, onde eu faço um rap. É mais fácil, mas também tem seus segredos, no caso encontrar o melhor ritmo para declamar a letra. Cantar sempre foi um grande sonho, e sempre me pareceu impossível realizá-lo. Por isso decidi que teria cantoras convidadas neste projeto. Mas fiquei satisfeito com o meu desempenho. Vi que é possível cantar, claro que preciso de muito treino e estudo para tentar vôo mais altos.
10) Quais são seus próximos planos?
Fê Lemos - Pretendo divulgar este CD nos próximos meses. É um lançamento independente, pelo meu próprio selo, e isto determina um outro ritmo para a divulgação. Pretendo montar uma equipe de assessoria, escolhendo pessoas que possam me ajudar neste e nos futuros lançamentos. O próximo passo é encontrar uma distribuidora, fazer o lançamento nas principais cidades e pontos de venda e tentar divulgá-lo na tv e no rádio.
Mas, já estou começando a compor o próximo CD! O mais importante, daqui para a frente, é dar continuidade a este lançamento, e ter um novo CD para o próximo ano.
Ciro Pessoa-Ed. Warner/Chappell
Sentado em cima da pedra
Vejo clarões no céu
Nos sonhos que já sonhei
Me encontro neste lugar
Entre orquídeas e pontes
Cores a decifrar
Jardim das gueixas
O sonho leva as minhas mãos
Os tigres que já enfrentei
Agora cuidam de mim
As mãos que pegam nas minhas
Me convidam pra ver
Os raios de um sol cool
Passando pelos vitrais
Jardim das gueixas
O sonho leva as minhas mãos
:: NADA POR ESPERAR ::
Débora Blando / Fê Lemos
Eu gosto desse jeito que você está
Me sedando e me entorpecendo
Gosto de pensar que perder
Os meus sentidos é a solução
Gosto de saber que nas ruas sem saída
É onde eu me acho
Agora vou fechar meus olhos para
Não te ver no rosto de um estranho
Gosto de pensar que hoje eu vou te ter
Do jeito que eu imagino
Sem fronteiras nem bandeiras,
De frente para o destino
Vem me segurar e me libertar do tempo
Que é imperdoável
Vem me proteger para eu enfrentar
O medo que me faz escravo
Nado em suas águas
Deságuo nas ondas do mar
Sem vela, na tempestade
Nada por esperar
:: CASTELO DE CRISTAL ::
Silvana / Fê Lemos
Às vezes
Precisamos fazer
Tudo acontecer
Como um conto de fadas
Às vezes
Quero acreditar
Que tudo vai passar
Como um conto de fadas
Às vezes
Quero acreditar
Que você vai ficar
E nada vai me faltar
Mas sempre
Sempre acordo sozinha
Castelos feitos no ar
Como um conto de fadas
Acordo com a febre da rua
Junto aos restos do que sobrou
Tento não lembrar, tarde demais,
Cacos de vidro refletem a minha dorPensamos
Que o mundo conspira
Pra nossa alegria
E o resto virá de graça
Sonhamos
Que todas as mentiras
Mortalmente feridas
Decerto vão dissipar
E a trilha
Coberta pela neblina
Um leve sopro de vida
De novo vai nos guiar
Mas quando
A infância termina
Destruída por brigas
Quem é que vai me ajudar
:: IMPRESSÃO ::
Fê Lemos
A primeira impressão
é a que fica...
A primeira impressão
é a que fica...
Fica...
:: DESCENDO O VELHO CHICO ::
Talita / MJ Laurent / Fê Lemos
Eu tenho quinze anos
Mais parecem cento e trinta
Há tantas coisas pra ver
Que eu só vi na TV
Eu quero cair na vida
Eu quero melibertar
Ta tudo seco aqui
Preciso me salvar
O que ela pode fazer
Se ela tem fome de viver
O que ela pode fazer
Se ela tem sede de prazer
Sua mãe pobre coitada
Não acreditava no que ouvia
E ralando a rapadura
Repetia a ladainha
“Minha filha, ouve bem,
Escuta o que eu vou dizer:
O teu lugar é aqui, minha filha,
Paga pra tu ver!”O que ela pode fazer
Se ela tem fome de viver
O que ela pode fazer
Se ela tem sede de prazer
Dá um gole dessa pinga
Adeus linda caatinga
Dá um gole de cachaça
Adeus velha bruaca
Eu disse adeus velha bruaca
Adeus linda caatinga
Adeus
:: BUSTED IN BRAZIL ::
Fê Lemos
Faixa instrumental
:: O DESEJO FAZ DANÇAR ::
Débora Blando / Fê Lemos
Amanhece o dia
Ainda não dormi
Passo o tempo pensando
Como vai ser quando acontecer
Tudo aquilo que eu pressinto
Estou aqui por você
O que mais eu nem sei
Sou assim só com você
Você me deixa a fim
Te quero pra mim
Nada vai mudar
Espero que sim
Sempre vou te amar
Vcê me atrai
O desejo faz dançar
E me satisfaz
Parece um filme que
Jamais começa
Eu aqui te esperando
Às perguntas que ainda vão surgir
Você responde sem me ferirQuando te vi, sem tocar
Só de olhar eu já pequei
O teu calor num beijo meu
No que vai dar eu já sei
:: GENTE QUE PASSA ::
Ariela / Fê Lemos
Gente branca, quente
Danada de ruim
Gente grande, gostosa
Gente, brava gente
Estúpida e metódica
Gente decadente, grossa
Gente velha, feia
Doida, burra e porca
Gente fina, morta
Ilustre e atrevida
Gente elétrica
Insistente, distinta
Gente fria, morna
Ardente, erótica
Gente, gente, gente
Que passa
Gente, gente
Que ficou pra trás
Gente, gente, gente
Que passa gente
Gente, gente que
Ficou pra trás
Passa gente, passa gente
Passa, passa, passa
Gente que mente
Passa, passa, passa
Passa gente
Gente, gente, gente, gente
Gente que passa
Gente, gente, gente que
Ficou pra trás
Gente mente, mente, mente
E mata
Gente
:: DIBI E VICKY (Brincando no quarto secreto) ::
Fê Lemos
Faixa instrumental
:: A CASA DA LUZ VERMELHA ::
Fê Lemos
Ela: Não!... Não!...
Ele: Ahn... Ahn..., ahn, ahn, ahn...
Ele: Mais, mais, mais, mais, mais, mais
Forte, mais forte...
Ele: Mais forte!
Narrador: A casa...
Ele: Agora você vai ser minha!
Narrador: A casa da luz vermelha
Fica atrás da colina
Curral de negras ovelhas
Que o sol n~~ao ilumina
Ela: Eu sou virgem, não
:: NEM MAR, NEM PUTO ::
Fê Lemos
Nessa estada que eu vou caminhando
Eu admiro o que vou encontrando
Olho pra lá, olho pra cá
Sempre mudando, parece um encanto
A saudade me persegue
A novidade até que diverte
No balanço da corda bamba
Meio travado tocando o meu barco
Qual será o seu motivo
O que que você está esperando
Quando eu vejo alguém vacilando
Eu caio fora
Se liga nos toques, confia na sorte
Não anda de lado, guenta o tranco
Olha onde você está pisando
Não vá cair por engano
Nesta estrada de curvas e retas
Às vez... Outras na certa
Eu nunca paro pra pensar, não
Eu nunca penso em parar
Não sei o que vem atrás do morro
Talvez em perigo, quem sabe acho
Um poço
Água pura pra lavar o meu rosto
Ou lama lá da rua pra cagar no
Meu olho
Mas se um dia tua sorte mudar
E te deixar mal no pedaço
Sem ter pra onde ir, nem como voltar
Não banque o palhaço
Agradeça a Mãe Natureza
Por ainda estar vivo
Respira, a estrada é longa, certeza
E cante comigo
Se eu não tenho mar, nem
Um puto
Nem alguém para amar
Tudo o que eu posso fazer
É cantar...
// FICHA TÉCNICA //
2005 - HOTEL BÁSICO
Produzido por Franco Junior e Fê Lemos
Impressão produzida por VJ Vanni, Frnco Junior e Fê Lemos
Dibi e Vicky (Brincando no quarto secreto) produzida por Fê Lemos
Gravado no M4J Studio, São Paulo
Dibi e Vicky (Brincando no quarto secreto)
Gravada e mixada no DM Estúdio,
São Paulo, 1997
Produção de Pro-Tools: André “Kabelo” Sangiacomo Mixado por Frnco Junior e Fê Lemos
Masterizado por Renato Patriarca
// RELEASE //
2005 - HOTEL BÁSICO
"Nos sonhos que já sonhei, me encontro neste lugar...”
Jardim das Gueixas/Ciro Pessoa-Ed.Warner/Chappell
Depois de mais de 20 anos no mundo dos ton-tons com a banda Capital Inicial, o baterista Fê Lemos descobre a musicalidade do mundo dos tons.
Faixas produzidas em inumeráveis hotéis, intermináveis noites que ficaram na sua memória.
Com produção de Franco Junior, o CD começou a ser composto a partir de 1989. A trilha de Fê Lemos é fascinante, faz dançar e traz parcerias inéditas em vozes femininas e do próprio criador. O resultado eletrônico de “Hotel Básico” é detalhado pelo próprio autor, através de dez perguntas para Fê Lemos. Sugerimos ler ouvindo faixa a faixa...
1) Porque “Hotel Básico”?
Fê Lemos - Eu passo grande parte da minha vida dentro de hotéis, por causa dos meus compromissos com o Capital Inicial. Em 2001 eu estava trabalhando em uma música no meu laptop, em um hotel em São Paulo , enquanto minha namorada dormia, na cama à minha frente. Pensei em nomes para a música que eu estava fazendo, e isso me levou a pensar no estilo da música: era um drum ‘n’ bass, um chill-out, um house, ou apenas uma canção pop, feita no computador? Comecei a pensar nesses nomes, e ‘house’ (casa) me trouxe imagens da minha casa, e da casa que eu vivia atualmente, um hotel, mas, não apenas aquele hotel, mas inumeráveis hotéis, intermináveis hotéis. Esta noite ficou na minha memória.
Alguns anos depois, durante a gravação do CD, após a participação das cantoras convidadas, eu, conversando com o Franco Junior, disse que aquela situação, as várias parcerias, tinha algo a ver com um lugar onde pessoas, desconhecidas entre si, vão para fazer alguma coisa, secretamente, como um hotel, ou motel (…). Me lembrei daquela noite em 2001, e achei que havia alguma coisa aí. O hotel, então, se referiria às diversas participações, e ao fato de eu ter composto as músicas em diversos locais, na estrada, e não em um estúdio. Mas que espécie de hotel? A imagem que me veio não foi dos hotéis luxuosos, que eu tinha passado a me hospedar após o sucesso do CD ‘Acústico - MTV’ , mas sim as tranqueiras que já tinha, e ainda encaro, pelo Brasil a fora. Um hotel básico, enfim. E o nome surgiu.
2) Quando você começou a compor música eletrônica?
Fê Lemos - Em 1987, o tecladista Bozzo Barreti passa a fazer parte do Capital Inicial, e ele nos apresenta dois equipamentos, um chamado ‘sequencer’, ou sequenciador, e o outro o ‘sampler’ ou sampleador. Através da tecnologia MIDI, o sequencer é capaz de gravar uma performance nos teclados, ou numa bateria eletrônica, e depois reproduzi-la, corrigindo o que estava errado, acrescentando novos timbres etc. O sampler permitiu ao músico ter acesso a qualquer tipo de som, de um ruído a uma orquestra, e também a poder ‘roubar’ qualquer som e incorporá-lo à sua composição. Essa tecnologia tornou o músico auto-suficiente para gravar sem precisar entrar em um estúdio. Fiquei fascinado pela possibilidade de poder compor, eu não tocava nenhum instrumento melódico, mas com esses equipamentos as portas da criação musical se abririam para mim. Em 1988 adquiri meu primeiro sampler, um AKAI S-900, e um sequencer ALESIS MMT-8, e me joguei de cabeça no mundo dos tons, depois de quinze anos no mundo dos ton-tons…olvimento desse novo lado na sua carreira?
Fê Lemos - Foi lento. A minha carreira musical sempre foi condicionada ao Capital Inicial, com sua agenda extensa e intensa, e por eu ser o baterista. Os primeiros anos são gastos para entender e dominar aquele mundo novo. Eu não tinha nenhuma experiência com teclados, e meu ouvido não era treinado. Em 89, eu gravo pela primeira vez uma composição minha: a batida e o refrão da música ‘Mambo Club’ do disco “Todos os Lados” do Capital Inicial surgem das minhas experiências com programação musical. Em 1991 as músicas ‘Chuva’ e ‘Auá-auá’ do disco “Eletricidade” também. Nos anos seguintes, começo a ouvir música eletrônica regularmente, e aperfeiçoo minhas composições. As primeiras parcerias só surgem em 94, quando sincronizo pela primeira vez guitarras e vocais com o computador, que nesta época já havia substituído o sequencer. Em 96 e 97, sou sócio de um estúdio comercial em São Paulo , e novas parcerias surgem. Em 98, o Capital Inicial grava ‘Paz no matadouro’ - uma composição minha. É nesta época que começo a pensar em gravar um CD. Também fica claro: eu dependeria de parcerias para poder gravá-lo.
4) E quando você decidiu que ia finalmente gravar o seu primeiro CD?
Fê Lemos - Em 1999, a crescente agenda do Capital Inicial desde o retorno à formação original no ano anterior me afasta da composição, e o computador passa a servir para responder e-mails e organizar o site. Em 2000, o lançamento do ‘Acústico MTV’ transforma nossas vidas, e tem sido assim desde então. Mas em maio de 2003, durante a turnê do disco seguinte, “Rosas e Vinho Tinto”, eu lembrei mais uma vez do meu sonho de gravar um CD, e simplesmente decidi que se eu não criasse a oportunidade para gravá-lo, ela nunca iria aparecer. E foi isso. Trouxe para São Paulo meu home-studio que estava em Brasília, vasculhei meu arquivo de canções, e durante quatro meses preparei um CD-demo com o que eu achava mais representativo dos meus dez anos como compositor eletrônico.
5) Quem é Franco Junior, o co-produtor do seu CD?
Fê Lemos - Ele é um amigo de longa data, de São Paulo. Ele é tecladista, produtor e compositor. Surgiu no cenário musical na mesma época em que o Capital Inicial, tocando com Kiko Zambianchi. Tocou com o RPM na sua segunda formação. Foi tecladista e técnico de som do Capital Inicial nos anos 90. Descobriu a música eletrônica mais ou menos na mesma época em que eu, e trabalhou ativamente neste segmento, produzindo discos para artistas como DJ Mau-Mau, M4J, Lunatics, Edson Coelho, Laura Finokiaro, entre outros. Foi produtor e compositor da primeira banda de eletrônica/industrial do Brasil, o P.U.S., por coincidência também de Brasília.
6) Quem são seus parceiros, e como eles surgiram?
Fê Lemos - O primeiro a trabalhar comigo foi MJ Laurent, um cantor e compositor gaúcho que morou em São Paulo nos anos 90. Hoje em dia ele é instrutor de rafting em Santa Catarina. Ele criou a melodia de ‘Descendo o Velho Chico’.
O Fejão é um caso a parte, ele foi sem dúvida o músico mais brilhante que Brasília já produziu. Seu talento foi um privilégio que infelizmente poucos puderam apreciar. Ele faleceu há alguns anos. De 93 a 94, ele trabalhou como roadie do CI, uma maneira de conseguir algum dinheiro em São Paulo , enquanto tentava fazer decolar sua carreira como guitarrista e compositor do Dungeon, uma excelente banda de metal que refletia aqui no Brasil o renascimento desse gênero de rock no mundo. Uma tarde convidei-o para gravar alguma coisa para uma música que eu havia feito, após um almoço em casa. Ele deixou a guitarra e o baixo de ‘Descendo o Velho Chico’ para nós.
A Ariela foi a primeira parceira, da época do meu estúdio em São Paulo. Ela é a mãe do Fred, sobrinho do Dinho. Tivemos uma banda juntos, o Bah!, que deixou algumas fitas DAT gravadas, mas nunca se apresentou ao vivo. Ela criou a melodia e escreveu a letra de ‘Gente que Passa’. Quando decidi que ‘Impressão’ precisava de uma voz feminina sussurrando a frase ‘A primeira impressão é a que fica’, que eu lembrava de uma antiga propaganda das lâminas de barbear Gillette, já sabia quem chamar.
A Silvana é da mesma época, me foi apresentada por uma amiga em comum. Ela cantava em bares em São Paulo , e a convidei para passar no estúdio. Mostrei-lhe uma música que eu havia feito há algum tempo, eu a chamava de ‘Hong Kong Love’ porque tinha um clima oriental. Eu tinha acabado de escrever uma letra para minha filha, chamada ‘Castelo de Cristal’, eu havia me divorciado havia pouco tempo. Ela leu a letra e criou a melodia no ato. Gravei aquele momento em fita, mas não voltamos a nos encontrar. Cinco anos depois recriamos ‘Castelo de Cristal’. Pedi também para ela cantar o refrão de ‘Nem mar, nem um puto’, que os fãs antigos do CI vão reconhecer. Foi gravada como uma vinheta no disco ‘Eletricidade’, com o título de ‘Auá-auá’.
A Debora Blando dispensa apresentações. Nos conhecemos desde os anos 80. Porém, nosso reencontro merece ser contado. A Debora morou vários anos nos Estados Unidos, e eu não a via desde meados dos anos 90. Um dia, no final de 2003, eu estava em um hotel (mais um…) no interior de São Paulo. Estava zapeando a tv, matando o tempo, esperando o show daquela noite. De repente, aparece a Debora, fazendo um playback num desses programas de auditório de sábado à tarde. Caramba! pensei, há quanto tempo não vejo essa mulher! Será que ela está de volta ao Brasil? E se… E nesse momento o telefone de contato dela apareceu na tela. Anotei, e liguei. Falei com o produtor dela, que me passou seu telefone. E a história foi feita. A Débora estava sim de volta ao Brasil, morando em Florianópolis - ela é manezinha da Ilha - , mas procurando um apê em São Paulo. Ela passou no estúdio, mostrei a demo e perguntei se ela gostaria de participar do projeto. Ela escolheu ‘Nada por esperar’ (o título de trabalho era ‘Sex in the shadow’, ainda não tinha letra). Gravei um CD com a demo da música para ela levar para casa, e ficamos de nos falar no Ano Novo. No carnaval de 2004, eu estava velejando na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, e liguei de novo para ela. Ela tinha criado a melodia, e queria me mostrar. Fiquei muito emocionado, ela sentada em frente ao laptop, no meu quarto no hotel (mais um…), ouvindo a base nos fones de ouvido e gravando o ‘lá lá lá’ da melodia no microfone do próprio laptop! De volta a São Paulo, nos encontramos e escrevemos a letra juntos. Convidei-a para gravar mais uma música, e desta vez eu mostrei ‘O Desejo faz dançar’ (o título de trabalho era ‘O botão quebrado’). Era nesta em que eu queria a sua voz, desde o começo. Fizemos a letra juntos, a letra mais romântica do CD. Ela é uma cantora extraordinária, a participação dela enriqueceu imensamente este projeto. E pensar que surgiu de uma coincidência, de uma probabilidade quase impossível de imaginar…
Finalmente, a Talita. Ela é uma jovem cantora paulistana, da cena de rock underground. Canta numa banda chamada Motores. Eu a conheci através de amigos em comum, os músicos da banda dela são velhos conhecidos. Eu não tinha quem cantasse ‘Descendo o Velho Chico’, uma letra irônica que ao meu ver requeria uma certa dose de coragem para ser interpretada. A cantora precisaria ‘encarnar’ o personagem da retirante nordestina adolescente, e cantar com raiva. Convidei-a uma certa noite de 2004, para passar no estúdio e ouvir do que se tratava. E ela arrasou! Propôs uma alteração num dos versos da letra, prontamente aceita. O vigor da sua interpretação é contagiante, em uma das faixas mais difíceis do CD, por causa das dificuldades técnicas de resgatar a gravação original em K7(!) da guitarra e do baixo interpretados pelo Fejão.
7) Como surgiu a idéia da capa do CD?
Fê Lemos - Foi o meu amigo Eduardo ‘Balé’ Raggi quem teve a idéia. Ele é um artista gráfico, músico eletrônico e DJ de Brasília. Quando falei que estava produzindo o meu primeiro CD, em 2003, ele se ofereceu para fazer a capa, e me perguntou qual era o título. Durante 2004, ele mandou algumas idéias por e-mail, que faziam referências à quartos de hotel: uma cama (inclusive muito parecido com uma foto do encarte do novo CD do Moby, lançado poucos meses atrás, intitulado… “Hotel”… - as idéias estão no ar!), ou uma foto de um aparelho de tv dos anos 70, a tela refletindo o interior de um quarto. Mas a capa tomou forma quando ele me sugeriu fazer a foto num hotel mesmo, a rigor. Eu poderia ser o gerente, por exemplo, e poderia haver um hóspede entrando, pegando a chave, ou saindo para uma balada. Adorei a idéia, e passei o final de 2004 produzindo a foto, com a ajuda da minha namorada, a estilista Bel Murray. Ela é a hóspede que aparece na capa, conversando comigo. A locação foi no Hotel Cambridge, em São Paulo. A Bel produziu o figurino, juntos produzimos os objetos do cenário, e fomos fotografados pelo Marcelo Rossi. E se você reparar bem, as fotos contam uma história. É só usar a imaginação e prestar atenção aos detalhes,,,
8) Você pretende apresentar este projeto ao vivo?
Fê Lemos - Sim, mas não a curto prazo. Como é um disco eletrônico, provavelmente eu vou optar pelo formato ‘live PA’, onde eu mixaria as faixas e os loops ao vivo com as cantoras e os músicos convidados, eventualmente tocando a bateria junto com o computador. Este projeto envolveu pessoas com agendas próprias... seguimos conciliando o projeto com ensaios necessários e as agendas de cada um. Logo (muito breve) nos encontraremos nas cabines de som, palcos ou em algum "Hotel Básico"...
9) Você cantou em alguma canção deste disco?
Fê Lemos - Eu canto em duas músicas: ‘Jardim das Gueixas’, uma regravação da música do Ciro Pessoa, originalmente lançada no disco “Fósforos de Oxford”, do Cabine C, de 1987. Sempre gostei deste disco, e há alguns anos tive a idéia de fazer um drum ‘n’ bass desta música. Percebi que poderia dobrar o andamento, fazer um loop da introdução de guitarra, e a partir daí eu teria um caminho para seguir. Mas foi difícil cantar, tive que vencer minha insegurança e me acostumar com o som da minha voz.
A outra canção que eu canto é “Nem mar, nem um puto”, onde eu faço um rap. É mais fácil, mas também tem seus segredos, no caso encontrar o melhor ritmo para declamar a letra. Cantar sempre foi um grande sonho, e sempre me pareceu impossível realizá-lo. Por isso decidi que teria cantoras convidadas neste projeto. Mas fiquei satisfeito com o meu desempenho. Vi que é possível cantar, claro que preciso de muito treino e estudo para tentar vôo mais altos.
10) Quais são seus próximos planos?
Fê Lemos - Pretendo divulgar este CD nos próximos meses. É um lançamento independente, pelo meu próprio selo, e isto determina um outro ritmo para a divulgação. Pretendo montar uma equipe de assessoria, escolhendo pessoas que possam me ajudar neste e nos futuros lançamentos. O próximo passo é encontrar uma distribuidora, fazer o lançamento nas principais cidades e pontos de venda e tentar divulgá-lo na tv e no rádio.
Mas, já estou começando a compor o próximo CD! O mais importante, daqui para a frente, é dar continuidade a este lançamento, e ter um novo CD para o próximo ano.
2.7.05
1995 - Dinho Ouro Preto
2.6.05
2.5.05
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